A utilização da música como terapia complementar no tratamento de pacientes com Alzheimer tem se mostrado uma ferramenta poderosa. Ela não apenas melhora a função cognitiva e o resgate de memórias, como também um estímulo ao convívio social e às mudanças comportamentais.

Entender melhor os efeitos que a música exerce sobre o cérebro humano tem sido objeto de estudo de inúmeros especialistas. E os resultados desses e de outros esforços parecem apontar que o tratamento para a doença deverá se voltar cada vez mais para a combinação de técnicas de terapias não farmacológicas.

Mas afinal, que benefícios reais a ciência já comprovou que a música traz para pacientes com Alzheimer? De que maneira essa terapia deve ser aplicada para trazer resultados efetivos? Entenda melhor!

Quais os benefícios da música para pacientes com Alzheimer?

1. Ajuda a resgatar memórias e sensações

Mesmo nos estágios mais avançados da doença, a utilização da música é capaz de despertar memórias e sensações nos pacientes com Alzheimer. Isso porque ainda que a doença os impeça de acessar a memória mais imediata, as canções auxiliam no resgate das antigas recordações, que estão totalmente sedimentadas.

De acordo com um estudo conduzido por neurocientistas do Instituto Max Planck de Neurociência e Cognição Humana em Leipzig, na Alemanha, uma das causas desse efeito reside no fato de que a música fica armazenada em uma parte do cérebro distinta das demais memórias, o lobo temporal.

Ainda que essa região também possa ser afetada pelo Alzheimer, o cérebro registra o ato de ouvir música como um processo diferente de lembrar-se de algo. Portanto, a atuação acontece em diferentes redes cerebrais.

Isso explica porque muitos pacientes não são capazes de lembrar o próprio nome, mas conseguem lembrar-se de grandes trechos de música de sua infância e adolescência. E, a partir daí, resgatar uma série de sensações.

Por isso, na aplicação da terapia é essencial que a escolha do repertório leve em consideração o passado do paciente. Isso facilita o resgate das lembranças relacionadas aos familiares, lugares e situações vivenciadas. Também possibilita que ele recupere assim um pouco da sua coerência.

2. Produz sensação de alívio e bem-estar

Essa possibilidade de resgatar memórias e sensações por meio da música traz ao paciente com Alzheimer uma enorme sensação de alívio e bem-estar.  O fato de não lembrar-se de nenhum acontecimento recente provoca no idoso um sentimento crescente de angústia. É como se ele estivesse em vivendo em um mundo onde nada nem ninguém é familiar.

Ao ouvir uma música que desperte, ao menos, parte dessas memórias e sensações, o paciente com Alzheimer é capaz de resgatar um pouco da sensação de familiaridade e sentir-se novamente como parte de um grupo social.

Um estudo com um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Federal de Goiás analisou os efeitos da música em idosos com Alzheimer de uma instituição de longa permanência. Ele constatou que a terapia musical somada a um ambiente adequado, além de ampliar a sensação de bem-estar, ajudou a regular o padrão de sono, diminuir a inquietação e  teve ação até mesmo no controle e alívio da dor.

3. Melhora os sintomas depressivos e a qualidade de vida

Essa sensação de familiaridade e pertencimento provocada pelo despertar das memórias musicais também pode atuar positivamente na redução dos sintomas depressivos, bastante comuns em pacientes com Alzheimer.

Isso porque a música ajuda a reduzir o nível das catecolaminas no sistema nervoso central. Isso reduz a pressão sobre a parede dos vasos, influenciando a rede do cérebro responsável pelas experiências emocionais e atuando na liberação de serotoninas e endorfinas, neurotransmissores responsáveis pela sensação de prazer e bem-estar.

O aumento nos níveis desses neurotransmissores tem atuação decisiva na melhora do humor, das funções cognitivas e do comportamento, tornando o paciente mais sociável e possibilitando assim uma melhora geral na sua qualidade de vida.

Benefícios da música não exigem execuções profissionais

É importante destacar que para garantir os benefícios da música no tratamento de pacientes com Alzheimer não é necessário que o cuidador ou responsável seja músico profissional.

Cantar para o idoso ou mesmo reproduzir músicas relacionadas ao histórico do paciente são suficiente para obter benefícios. E claro, eles podem ser ampliados sob orientação de fonoaudiólogos e terapeutas ocupacionais.

Além da escuta passiva, incluir o paciente com Alzheimer de maneira ativa nas sessões — que devem ter duração mínima de 8 minutos ininterruptos para poderem gerar efeitos terapêuticos — também traz resultados positivos.

Essa inclusão pode ser feita estimulando o paciente a cantar, bater palmas, assobiar ou bater os pés, estimulando assim sua capacidade de perceber o corpo.

Como você pode ver, a utilização da música no tratamento de pacientes com Alzheimer tem se mostrado um poderoso auxiliar no resgate de memórias e sensações que ajudam a devolver uma sensação de pertencimento ao ambiente social e ampliam o seu bem-estar.

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