Vasculites e miopatias: do manejo ao tratamento


Doenças autoimunes representadas por inflamações em vasos sanguíneos, as vasculites, podem ser primárias e secundárias. Assim, essas condições são exemplos de patologias em que os mecanismos do organismo humano que deveriam protegê-lo de agressões externas, perdem sua capacidade de distinguir entre agentes estranhos e tecidos pertencentes ao próprio corpo.

Dessa maneira, o organismo ataca vasos sanguíneos saudáveis, causando diferentes lesões que podem comprometer o funcionamento de órgãos vitais como os rins, sendo necessária até mesmo intervenção cirúrgica de urgência. A seguir, você vai conhecer um pouco mais sobre vasculites e também miopatias, desde seu manejo até o tratamento. Acompanhe!

O que são vasculites

Vasculites são processos caracterizados pela inflamação e lesão de paredes de vasos sanguíneos. Com frequência, a luz vascular é comprometida, resultando nas alterações isquêmicas de tecidos vizinhos.

Dessa maneira, essas inflamações assumem diferentes maneiras de expressão, desde processos inflamatórios locais, até formas de acometimento difuso e grave. Podem estar envolvidos vasos sanguíneos de qualquer tamanho como artérias de grande, médio e pequeno calibre, arteríolas, capilares e vênulas.

As vasculites podem ser processos primários ou secundários a uma doença subjacente, com incidência estimada em mais de 25 casos por milhão de habitantes.

As vasculites primárias são aquelas que acontecem de forma isolada. Já as secundárias, costumam aparecer quando o indivíduo apresenta outras doenças sistêmicas autoimunes, neoplásicas ou infecciosas.

Da mesma forma, as vasculites sistêmicas acometem múltiplos tecidos e órgãos. Entretanto, raras manifestações podem se limitar a um único órgão ou sistema, como as vasculites cutâneas. Sua classificação costuma ser realizada de acordo com o calibre dos vasos acometidos:

  • grandes vasos – claudicação, diferença de pulso e de pressão;
  • médios vasos – nódulos e úlceras;
  • pequenos vasos – púrpura e síndrome pulmão-rim.

Manejo e tratamento indicado

São muitas as doenças que podem apresentar sinais e sintomas que disfarçam o quadro clínico das vasculites, entre elas, as mais comuns estão relacionadas ao tecido conectivo, como o lúpus eritematoso sistêmico.

Outras que também devem ser prontamente identificadas, uma vez que as condutas terapêuticas podem se diferenciar dos esquemas imuno-supressivos adotados para vasculites sistêmicas primárias, são:

  • endocardite infecciosa;
  • infecções com púrpura;
  • síndrome hemolítico-urêmica;
  • doença ateroembólica;
  • síndrome de Goodpasture.

O diagnóstico definitivo das vasculites envolve o processo de valorização da história clínica, antecedentes de infecções, dependência química e exame físico acurado, em que achados como púrpura palpável são grandes indicativos.

Entre os testes laboratoriais, a maior parte apenas auxilia na documentação de disfunções inorgânicas por não serem específicos. Já testes como complemento sérico, determinação de ANCA, anti-DNA, sorologia para vírus B e C, pesquisa de crioglobulinas e arteriografia podem demonstrar a presença de microaneurismas assim como a biópsia de tecido clinicamente envolvido.

A importância da atualização

Nas últimas duas décadas, o tratamento relacionado à vasculites tem sido alvo de alterações. Por esse e outros motivos, é importante que o profissional mantenha-se sempre atualizado em relação a sua especialidade por meio de cursos, aulas e congressos.

Atualmente, o plano terapêutico da vasculite depende dos vasos sanguíneos envolvidos e, consequentemente, tecidos e órgãos que foram afetados. O tratamento inclui terapia medicamentosa, alimentação adequada, exercícios físicos específicos, repouso apropriado e alteração na rotina do indivíduo, evitando questões como estresse, frio, certos medicamentos, tabagismo, e alimentos que possam ser causadores das inflamações.

O que são miopatias?

As miopatias são condições genéticas de enfermidades musculares, nas quais as fibras do músculo esquelético são acometidas por disfunções que podem ter diversas causas, entre elas, etiologia congênita, infecciosa, endócrina, metabólica, inflamatória tóxica, ou idiopática (não se é capaz de determinar a causa). Entre suas características clínicas, podemos citar:

  • fraqueza muscular;
  • dores musculares;
  • mal-estar;
  • fadiga;
  • urina escura;
  • febre;
  • diminuição de reflexos tendíneos.

Por apresentar amplo espectro clínico, as miopatias precisam de uma anamnese minuciosa desde o início de sua investigação para seu tratamento. As miopatias são divididas entre os seguintes grupos:

  • miopatia congênita;
  • distrofia muscular;
  • distrofia miotônica;
  • miopatia inflamatória.

Manejo e tratamento

As suspeitas clínicas de miopatias devem ser confirmadas por testes laboratoriais, incluindo exame de urina revelando a presença de mioglobinúria com poucas células vermelhas ao microscópio.

Além do hemograma completo a ser realizado, testes como taxa de sedimentação de eritrócitos, testes de função de tireoide, eletrocardiograma, níveis de aspartato aminotransferase, eletromiografia, testes genéticos e níveis de anticorpos antinucleares devem ser feitos.

A ressonância magnética pode ser utilizada para a avaliação das complicações ou descarte da doença neurológica. E, em último lugar, uma biópsia muscular pode definir o diagnóstico.

No tratamento das miopatias sua etiologia tem grande influência, variando a terapia de um simples suporte para terapêutica sintomática até para condições específicas. Dessa maneira, pode-se afirmar que as miopatias não respondem a um tratamento único.

As terapias atuais para os diferentes tipos de miopatias correspondem à medicamentos, fisioterapia, massagens, acupuntura e até cirurgia. Além disso, podem incluir gestão de vias respiratórias e hidratação adequada ou agressiva, aumentando a diurese para a manutenção da função renal.

Em todos os casos da doença, avaliações cardiológicas e respiratórias são essenciais, visto que, muitas distrofias musculares são acompanhadas de comprometimento muscular cardíaco e redução de sua capacidade vital.

Após conhecer um pouco mais sobre vasculites e miopatias, é possível perceber a complexidade e amplitude que os assuntos trazem para a área médica. Por isso, é fundamental que o médico ou especialista em reumatologia mantenha-se sempre atualizado para oferecer melhores tratamentos e desenvolverem diagnósticos cada vez mais assertivos.

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