Por que emagrecer é tão difícil?


Por João Alfredo Bolivar Pedroso, Nutricionista e Doutor em fisiologia humana (USP)

Muitos de nós já vimos, ou conhecemos (muitas vezes, somos nós mesmos), pessoas que não estão contentes com o peso atual e, seja qual for o motivo, tentam emagrecer.

Seja porque o verão está chegando e é preciso manter o físico para praia, ou seja para vestir aquela calça que já não serve mais. Ou também seja pela preocupação com a saúde, pois o excesso de gordura corporal é a causa primária de diversas patologias, como doenças cardiovasculares, hipertensão, diabetes e até mesmo câncer.

Independentemente do motivo, na maioria das vezes, a estratégia é uma só: fazer uma dieta para emagrecer!

Faço dieta, mas não consigo emagrecer!

No entanto, embora frequentemente sigamos uma dieta à risca, atendendo todas as recomendações nutricionais para uma alimentação saudável (como, por exemplo, cortando doces, frituras e refrigerantes ou substituindo a carne vermelha por um filé de frango grelhado), ainda assim não conseguimos eliminar o excesso de gordura corporal. No meio da frustração e do desânimo, por não alcançar o objetivo almejado, surgem sempre os mesmos questionamentos: “Será que eu estou fazendo alguma coisa errada?”, “Por que o resultado não vem?”

Isso acontece só comigo?

Se você já se pegou em uma situação como essa, sinto lhe dizer, mas você não está sozinho nessa! Na tentativa de desvendar os mistérios que cercam o emagrecimento, pesquisadores da Universidade da Califórnia observaram que 2/3 das pessoas obesas que fazem dieta para emagrecer recuperam o peso perdido.

Mas, por que isso acontece? Preguiça em seguir a dieta? Indisciplina? Ansiedade?

Apesar desses fatores também estarem envolvidos, atualmente, outra questão vem se tornando uma evidência: nosso corpo joga contra! Isso mesmo! Apesar de você desejar imensamente perder aqueles quilinhos extras, seu organismo não está nenhum pouco interessado que isso ocorra e, acredite, ele vai “lutar” para que isso não aconteça!

Pode parecer estranho, mas é verdade. Já está bem estabelecido que, durante o processo de emagrecimento, surgem algumas adaptações fisiológicas que dificultam a tarefa.

Entendendo o efeito sanfona:

De certa maneira, na tentativa de evitar o emagrecimento, nosso corpo promove adaptações, como:

  1. Redução no gasto calórico. Uma vez que começamos a consumir uma dieta de baixa caloria, nosso organismo começa gastar menos energia, para “economizar” e manter o peso corpóreo.
  2. Alteração na produção de hormônios que regulam o controle alimentar. Ao perder peso, a concentração de um hormônio, conhecido como leptina, diminui no nosso sangue. Qual é a relação disso com a dificuldade de emagrecer? Dentre as principais funções da leptina, destaca-se o seu potente efeito na saciedade. Ou seja, ao perdermos peso, a produção de leptina diminui e, por isso, sentimos mais fome!
  3. Aumento na eficiência alimentar. Estudos, desenvolvidos com humanos e animais, demonstram que, durante a restrição calórica, o organismo fica mais eficiente, precisando de menos caloria para manter suas atividades fisiológicas, dificultando, portanto, a perda de peso.
  4. Preferência em armazenar energia na forma de gordura. Quando ficamos por um dado período em déficit calórico e, depois desse tempo, voltamos a ter uma alimentação normal, nosso corpo tende a armazenar mais energia na forma de gordura no tecido adiposo. Por que isso acontece? Seria uma maneira do nosso organismo armazenar energia para poder utilizar em um próximo evento de redução do consumo calórico.

Todos esses fatores certamente explicam a dificuldade em perder ou até mesmo em manter o peso reduzido por longo período de tempo. Mas, qual seria a explicação para isso? Por que nosso organismo “luta” contra o emagrecimento?

Apesar de até hoje não estar muito claro, acredita-se que essas adaptações foram importantíssimas durante a evolução da espécie humana. Em um momento que o ser humano não conseguia produzir seu próprio alimento e a sobrevivência era exclusivamente da caça, tais ajustes foram decisivos para garantir a energia necessária durante períodos de escassez alimentar.


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