Doenças ocupacionais: dificuldades enfrentadas por médicos no diagnóstico


Responsáveis pelo afastamento de milhares de trabalhadores de suas funções, as doenças ocupacionais são uma grande preocupação para empresas em todo o país. No período entre 2012 e 2018, o Brasil registrou 4,5 milhões de ocorrências de trabalhadores afetados, de acordo com o Observatório Digital de Saúde e Segurança do trabalho. Por esse e outros motivos, a prevenção deve ser a prioridade na gestão da saúde ocupacional. 

Contudo, nem sempre as doenças ocupacionais são devidamente registradas. Seja por falta de informações claras na literatura, experiência ou dificuldade na identificação e caracterização da doença, muitos médicos apresentam dificuldades para fechar um diagnóstico.

No conteúdo a seguir, você vai conhecer as condições enfrentadas por esses profissionais na investigação das doenças do trabalho. Continue a leitura e fique por dentro do assunto!

O que são doenças ocupacionais

Doença ocupacional é o termo que caracteriza as doenças recorrentes de exercícios profissionais e suas condições. De acordo com a lei para a concessão de benefícios previdenciários 8.213/1991, as doenças ocupacionais são equiparadas aos acidentes de trabalho.

Dentre os benefícios que o trabalhador pode requerer, está o auxílio-doença acidentário, pago pelo INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). Contudo, para que seja configurado doença ocupacional, o trabalhador deve comprovar a ligação entre sua doença e a origem no local de trabalho, sendo diagnosticado pelo médico do trabalho.

Principais doenças ocupacionais

Algumas doenças do trabalho tornam-se mais comuns entre os trabalhadores e suas determinadas profissões. Contudo, devemos entender que o rol de doenças ocupacionais vai muito além do que conhecemos comumente, sendo fundamental a análise individual para cada situação.

Lesão por esforço repetitivo (LER)

Causada pelo exercício prolongado de alguns movimentos, a LER reduz gradativamente a capacidade do trabalhador para realizar suas atividades. É mais comum entre colaboradores que trabalham com computadores e está diretamente ligada à função desenvolvida, sendo muitas vezes notada somente quando está em estágios avançados.

Asma ocupacional

A asma caracteriza-se pela obstrução das vias aéreas, sendo a doença respiratória mais comum. Apesar de poder ser desencadeada por outras fontes, no ambientes de trabalho, está associada à inalação de substâncias tóxicas, como poeira e fuligem. Ao ser desenvolvida, necessita do afastamento do colaborador de suas atividades e agente causador para que ocorra recuperação.

Dermatose ocupacional

A dermatose ocupacional é uma alergia que gera alterações na pele e mucosa do trabalhador. Sua causa é devido aos agentes nocivos presentes em materiais com os quais o mesmo tem contato quando não está utilizando equipamentos de proteção.

Surdez temporária

Entre as doenças ocupacionais, a surdez temporária é a diminuição da sensibilidade auditiva que, em casos extremos, pode causar a perda total da audição pela exposição do indivíduo a ruídos constantes e altos, como sons de máquinas em madeireiras e construção civil.

Estresse ocupacional

Mesmo que sejam comumente associadas a problemas físicos, doenças ocupacionais também podem possuir um fator psicológico, desencadeadas pela sobrecarga de trabalho que afetam os colaboradores e, consequentemente, diminuem seu desempenho, desenvolvendo constantes mudanças de humor. As doenças ocupacionais relacionadas ao estresse geralmente são acompanhadas por:

  • fadiga;
  • depressão;
  • úlceras;
  • gastrite.

Antracose pulmonar

A antracose pulmonar é uma doença ocupacional relacionada diretamente à atuação do indivíduo em carvoarias, com contato direto com a fumaça. Mais grave que a asma ocupacional, provoca graves lesões no pulmão. 

Principais dificuldades enfrentadas para o diagnóstico

Além da anamnese e exame físico, a realização da coleta de histórico de exposição completa deve ser feita quando o paciente apresentar doenças respiratórias, de pele, danos auditivos, sintomas articulares ou lombalgia, doenças hepáticas, câncer, problemas neuropsiquiátricos, cardíacos ou afecções de causa desconhecida. 

Em muitos casos de investigação diagnóstica, as doenças ocupacionais apresentam dificuldades objetivas que merecem abordagem cuidadosa dos médicos de atendimento. 

Dificuldade da identificação do histórico

Entre as dificuldades mais encontradas, é comum que o médico tenha problemas de acesso a dados de quantificação da história dos expositores. Assim, sendo necessário em muitos casos tomar decisões baseadas em estimativas, como dados de quantidade de produtos usados, duração da exposição diária e na vida laboral.

Dificuldade de acesso à literatura

A literatura relacionada às doenças ocupacionais nem sempre aborda de maneira clara os aspectos da história de uma patologia típica ou sugestiva de etiologia ocupacional. Dificilmente se consegue encontrar informações em uma única publicação acerca de fatores causais que deveriam ser investigados no histórico de exposições, assim como achados clínicos, exames e resultados complementares.

Falha na interpretação de resultados

Outra dificuldade apresentada no diagnóstico de doenças ocupacionais é a falha de interpretação de resultados de exames originalmente sugeridos para identificar de forma precoce a exposição excessiva e adoção de medidas de prevenção. Esses resultados, como fatos isolados, não são capazes de permitir a conclusão da existência da doença ocupacional.

Dificuldade na avaliação de sintomas

Em situações que ocorram a dificuldade na avaliação de sintomas, o profissional, muitas vezes, pode se apresentar cético, querendo rejeitar queixas do trabalhador e encaminhá-lo para outros especialistas, principalmente, quando há a impressão de que as queixas são de origem psicossociais. 

As doenças ocupacionais podem ter diferentes fatores que dificultam a conclusão de seu diagnóstico, causando prejuízo a saúde do paciente e a empresa. A melhor maneira de garantir que tais dificuldades não aconteçam é buscar aprimoramento por meio de uma formação de qualidade, que possa oferecer conhecimento específico na área de medicina do trabalho. 

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