Dependência química e transtornos mentais relacionados


A dependência química é um problema de saúde que atinge muitas pessoas em todo o mundo. Caracterizada pelo uso descontrolado e compulsivo de substâncias químicas, esse tipo de enfermidade afeta a vida do paciente e também das pessoas ao seu redor, seja no aspecto físico, mental ou social.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a dependência química é uma doença crônica e progressiva, que pode se agravar, caso não seja realizado tratamento. Além disso, observamos a comorbidade entre a dependência química e outros transtornos mentais. No artigo de hoje, você poderá conhecer como essa dependência pode se relacionar com tais transtornos. Confira conosco a seguir!

O uso de drogas e a dependência

O amplo conceito de droga abrange uma infinidade de preparações baseadas em diversos princípios ativos, cada um com diferentes mecanismos de ação com um resultado em comum: aumentar os níveis de dopamina causando bem-estar e sensação de prazer.

O problema ocorre quando, em alguns casos, a ausência desse estímulo provoca diminuição nos níveis da dopamina. Assim, levando às alterações celulares e caracterizando uma síndrome de abstinência.

Sintomas como dores de cabeça, prejuízo de raciocínio lógico e comportamento compulsivo agressivo podem estar presentes e, a partir desse ponto, a dependência química pode estar presente.

Relação entre dependência química e transtornos mentais

Relacionados à prevalência de transtornos psiquiátricos e abusos de substâncias, podemos citar o ECA – Estudo sobre Área de Captação Epidemiológica de Saúde Mental, e o NCS – Pesquisa Nacional de Comorbidades, dois estudos clássicos relacionados ao assunto.

De acordo com o ECA, há a prevalência de 13,5% de abuso de álcool e 6,1% para abuso de outras drogas na população adulta, em geral. Enquanto em indivíduos que apresentavam transtornos de humor, observou-se 32% da prevalência de problemas que envolviam álcool ou drogas.

Já a NCS, ao utilizar metodologias diferentes, estimou em 7,5% a incidência de dependência química e demais problemas relacionados ao uso de drogas na população adulta geral. Em pacientes com transtornos de humor, observou-se o aumento dessa proporção para 19,3%.

Tais dados demonstram que a incidência de problemas com drogas e álcool é três vezes maior em pacientes com transtornos mentais, em comparação à população em geral.

Outro estudo, o Canadian Community Health Survey,  realizado no Canadá, apresentou dados que mostram a prevalência de depressão durante, pelo menos, 12 meses em pessoas que desenvolveram algum tipo de problema relacionado ao abuso de drogas, sendo:

  • 6,9% para consumidores de altos níveis de bebidas alcoólicas;
  • 8,8% para dependentes de álcool;
  • 16,1% para drogas de modo geral.

Além disso, 20 a 67% das pessoas estudadas passaram alguma vez por um episódio de depressão, enquanto 6 a 8% foram avaliados com suspeita de bipolaridade. Os dados demonstram que os dois problemas, muitas vezes, potencializam os efeitos um do outro. 

Contudo, não se pode afirmar em todos os casos qual deles é causa e qual a consequência. Para isso, seria necessário analisar individualmente cada paciente. Em uma pesquisa realizada com dependentes químicos em uma unidade de reabilitação no Paraná, observou-se entre os danos relacionados à saúde mental:

  • comorbidades psiquiátricas;
  • alterações de pensamento;
  • delírios;
  • alucinações;
  • amnésia transitória;
  • alterações emocionais;
  • episódios de raiva e irritabilidade.

O dependente químico como paciente

Considerando que a dependência química é uma doença, o acompanhamento profissional adequado, bem como educação e prevenção, para novos casos é essencial.

No Sistema Único de Saúde (SUS), o CAPS AD (Centro de Atenção Psicossocial com enfoque em Álcool e Drogas) atua como uma rede de atendimento individualizado para os dependentes químicos que procuram voluntariamente o serviço.

A dependência química não é uma doença que possa ser curada, ou seja, há o controle da doença com o tratamento adequado. As alterações cerebrais causadas pela droga, em grande parte, são irreversíveis. 

O tratamento multidisciplinar envolve um médico especializado em psiquiatria, psicólogo e outros profissionais. O uso de medicações é de grande utilidade para ajudar a conter a abstinência, assim, diminuindo seus sintomas.

Além disso, o apoio familiar é essencial no processo de tratamento. Dessa forma, é imprescindível que os integrantes se envolvam e incentivem o doente a buscar a evolução positiva do quadro.

O psiquiatra precisa explicar à família que a dependência química não se trata de um desvio moral. Além disso, é essencial contar com o apoio de uma equipe multidisciplinar com uma postura firme para que o paciente não os manipule. 

Muitas vezes, é um equilíbrio difícil de ser atingido, contudo, é possível encaminhá-los também a participação de grupos de mútua ajuda. Esse tipo de iniciativa, auxiliar os pacientes a entender melhor como passar por esse período.

 A relação entre dependência química e doenças mentais é vista de forma complexa e deve ser encarada como tal. Dessa forma, o debate e diálogo envolve não só a área médica, mas também a sociedade deve ser feito como um todo, para que pacientes e familiares alcancem uma vida mais saudável.

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